Toda vez que se vê no noticiário ou em livros de história que o povo por uma razão ou outra seja ela econômica ou outra qualquer "se uniu para derrubar o regime" ou "em busca de justiça" eu penso logo que isso é pura propaganda.
Parece, se fomos ouvir a opinião dos "bem pensantes", que a função das ciências sociais é descobrir quais condições irão causar uma revolução e que todas as revoluções podem ser explicadas por essas condições. Eles dizem conhecer o homem médio e por vezes se dizem seus guias.
O texto a seguir de "Aventuras de Huckleberry Finn" foi traduzido por este que vos fala e emite a humilde opinião do mesmo sobre o assunto.
É um discurso do Coronel Sherburn, personagem do livro, que, depois de matar um bebum que tinha se tornado folclórico numa cidadezinha do sul dos EUA antes da guerra é ameaçado de morte pela turba desenfreada de habitantes da mesma.
Ele, perfeitamente calmo do alto de seu telhado fala a multidão de Jõoes-ninguém:
"A idéia de vocês matarem alguém! é divertida. A idéia de vocês pensarem em ter coragem suficiente para linchar um homem! Por que vocês tem coragem para deitar alcatrão quente sobre e cobrir de penas uma mulher pobre e sozinha no mundo que veio parar aqui, acham tem peito o bastante para botar as mãos sobre um homem? Um homem está seguro na mão de dez mil do seu tipo - desde que não o peguem por trás.
Voçês sabiam? Eu sei perfeitamente bem. Nasci e fui criado no sul e já viví no norte; então conheço bem o homem médio. O homem médio é um covarde. No norte podem pisar e cuspir sobre ele que ele vai em casa para orar. No sul um homem sozinho rouba o lote de um trem enquanto todo mundo fica esperando no vagão. Seus jornais o chamam de povo bravo e vocês acham que são os mais corajosos - embora não o sejam mais do que ninguém, sendo a todos igual. Por que seus juízes não enforcam assassinos? Porque tem medo que os amigos do morto o matem pelas costas a noite - e é o que fazem.
Então eles o absolvem sempre; entã um homem tem que matar o delinquente. O erro de vocês é não ter com vocês um homem , mas parte de um - Buck Harkness, aí - e se não fosse ele para incitar vocês, se espalhariam com um sopro.
Não, vocês não queriam vir. O homem médio não quer problema ou perigo. Vocês não querem problema ou perigo. Mas se a parte de um homem, como Buck Harkness, grita 'linchem-o, linchem-o' vocês temem não ir para não descobrir o que são: covardes. E então gritam e levam a parte-de-homem com vocês prometendo grandes coisas para fazer. A coisa mais digna de pena é uma multidão; e é o que um exército é, pois não lutam com a coragem deles mas a emprestada de seu número e dos oficiais. Agora, uma multidão sem um homem à frente isso é abaixo de qualquer pena. O que vocês tem que fazer é abaixar esses paus e ir para casa rastejar em suas tocas. Vão para casa e levem essa parte de homem com vocês"
E eles foram.
Então toda vez que ouço sobre "movimento de massa" lembro da "parte de homem" - seja nos partidos, em ONG's, nos grupos universitários, na ONU etc - e sei que tem algum colega da parte de homem por trás da mídia e nas editoras.
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