terça-feira, 19 de julho de 2011

Imanetizar a transcendência

Esse texto é uma crítica ao texto de Delfim Santos "Sobre a ambiguidade na metafísica"

Quem é Delfim Santos: http://pt.wikipedia.org/wiki/Delfim_Santos

O texto: http://www.filosofia.org/aut/003/m49a0840.pdf

Prometi não mais escrever textos grandes quando estivesse no navio, é cansativo. Mas esse deve valer a pena porque, em muito, me parece ser um exemplo da imanetização da transcendência.

É bem verdade que concordo com a tese da ambíguidade da metafísica. Toda teoria dos princípios supremos de Platão e Aristóteles são mitos e Platão não julgava-se digno de escrever sobre ela é porque de fato, não é como um sistema lógico que o sujeito tem que admitir a veracidade. Ademais, essas doutrinas são muito semelhantes ao mito cosmogônico de Hesíodo e a teologia esquiliana. Então iria mais longe ao dizer que não se trata de uma ambiguidade(2 sentidos) mas algo de múltiplos sentidos e, para quem crê na total logicidade da filosofia Aristóteles diz que o filomito é de certo modo um filósofo.

Mas não é em vão que o autor usa a palavra ambíguo, como quem leu percebeu. Antes ele fala de um duplo movimento da metafísica. Aqui, minha linguagem ainda presa com os antigos bate com a dele que fala de duas correntes de pensamento moderno. Assim, me parece forçoso fazer uma crítica ao pensamento dessas duas correntes. Quem leu o post Filosofia X Metafísica há de compreender que estas tem dois objetos de estudo diferentes, portanto sendo dois gêneros de conhecimento diferentes. O objeto metafísico é o resultado de uma ascenção e descobrimento da alma e da experiência do "É!". Então o fica o ridículo do idealismo que pressupõe que qualquer um nasça com tais dotes. Na verdade eles(materialistas e idealistas) se perguntam como um homem comum reconhece algo e supõe que seja pela idéia. Mas isso não é verdade, eles só tem acesso a suas afecções e com isso criam opiniões(doxa). Mas as afecções tendem a mudar, a vir a ser, o que gera uma inadequação das opiniões e das sensações e por isso o realista sempre tem que apelar ao idealista como bem viu o autor do texto.

Outra confusão terrível aqui é entre realismo, real, e sensível. Realista é o sujeito que diz serem os sensíveis o Ser por excelência. Real vem do latim "res, ei" que quer dizer coisa, isto é, individualidade, mistura entre forma e matéria e, assim concretude. Mas será contra-histórico e, na verdade estúpido, julgar as idéias como unicamente forma, pois, por serem muitas e portanto pluras servem de matéria para o Uno. Por outro lado elas são compostas de forma e matéria, isto é, Uno e os contrários que elas analogam e, portanto, são unidades e coisas.

Logo, percebe-se a verdade de que "tudo que é pelo pensamento é", pois isso se refere ao mundo do "É!", a metafísica, de outro modo se negaria existencia as idéia que, como vimos é absurdo. Esse é o principal erro do autor, achar que só há existencia e individualidade nos sensíveis. Quando fala da polarização da metafísica em pensamento e existência ele não sabe o que esta falando, ele está imanetizando o transcendente. A metafísica é o discursso que articula o transcendente na inteligência. Assim, como falou Aristóteles, a inteligência não precisa de objeto físico externo. "O homem fala com palavras mas Deus fala com palavras e coisas" o filósofo vai descobrindo a Lei que rege o microcosmo da alma e vendo que "tal como é em cima é embaixo" e percebe porque "Deus criou o homem a sua imagem e semelhança" e que tudo que existe são "pensamentos de Deus".

Nenhum comentário:

Postar um comentário