terça-feira, 19 de julho de 2011

Problema da forma e matéria

Meu objetivo aqui não é dar uma explanação sobre a metafísica platônica, pois seria descabido e nem tenho forças para isso. Aqui tentarei justificar a posição da ambíguidade entre matéria e sínolo em Aristóteles. É matéria complexa e posso cair em muitas contradições principalmente agora que estou sem meus livros(puta saudade do voegelin!). Esse é um campo de polêmica milenar e parece mesmo haver algo estranho, copio aqui o Angioni: "Não há consenso sobre os resultados da argumentação pela qual Aristóteles pretende resolver o problema[se forma ou subjacente é substância], e, na verdade, nem sequer há consenso de que é realmente esse problema que Aristóteles formula". Assim, para desconfundir o meio de campo, dividirei esse estudo em três tópicos: Teoria dos princípios platônica acompanhada de leitura do capítulo 7 livro I da física de Aristóteles e uma análise do argumento do terceiro homem Aristotélico.

i- Protologia Platônico-Aristotélica

Um ponto importante é que eu não vou falar sobre a teoria das idéias. Sim, é uma merda... mas, for the sake of the agument, deixo pruma próxima e o mesmo vale pros números idéais (embora só tenha compreendido uma parte deles). Então eu tô cortando MUITA coisa.

Depois de descobertas as idéias que representavam a unidade na multiplicidade e que englobavam varios seres houve o problema de que as idéias por sua vez eram muitas e que, portanto plurais. Logo, as idéias não eram o topo da metafísica platônica sendo necessários os princípios. Para Platão dois eram os princípios: o Uno supremo que é o princípio de determinação formal e a Díade indeterminada de Grande-e-pequeno, que é princípio de variabilidade indefinida. Uma coisa que temos SEMPRE QUE LEMBRAR é que os princípios NÃO SÃO algo que deram o primeiro movimento no universo e depois desapareceram, ou não acontecem mais. Eles são atemporais e como Deus na Bíblia é por eles que "nós vivemos, nos movemos e somos". Eles foram e são a causa de tudo e princípio de qualquer causalidade como veremos na parte de Aristóteles.

O Uno é o princípio limitador e limitante, a díade é "estrtural desigualdade" e engloba infinita grandeza e pequenez, sendo princípio da indeterminação. Os dois são igualmente originários, mas seria incorreto falar de dois princípios. Na verdade, é claro que um é forma e o outro é potência e por isso se exigem mutualmente e geram o Ser que é uma síntese de unidade e multiplicidade. Citando Reale: "Nada é algo se não é UM algo. Mas ele só pode participar da unidade porque ao mesmo tempo participa do princípio oposto da multiplicidade ilimitada e, por isso, é outro em relação a própira unidade. O Ser é, por isso unidade na multiplicidade".

Dito isso, vejamos como a coisa se dá na Física de Aristóteles. Começando a partir do livro I capitulo 6 do Física veremos a investigação sobre os princípios. Ele adimite no livro 5 que os contrários devem ser feitos princípios. No livro 6 há a divagação sobre o número de princípios, se seriam dois ou três. A questão fica inconclusa mas fica a necessidade de INCLUIR AOS CONTRÁRIOS UM SUBJACENTE. A questão só terá solução no livro 7. O dito subjacente àquilo que vêm a ser "mesmo que seja um em número é dois pela forma" enquanto o uno é um em forma. Fica claro, portanto, que tanto em Platão como Aristóteles há essa tríade. Para Platão a díade grande-e-pequeno seria para Aristóteles os contrários(em letra maiúscula), o Ser é o aristotélico subjacente(composto de forma e matéria) e O Uno seria a Forma. Mais uma vez tenho que lembrar que isto vale para todas as coisa que vem a ser e portanto princípio de TODA A CAUSALIDADE não importa quão pequena e atual.

Aqui entra a ambibuidade do subjacente e da matéria, pois às vezes significam o Ser e às vezes a Díade. Creio que quando se trata de mutações substanciais se use matéria como Díade e mutações de propriedades se use matéria como subjacente. Mas não tenho certeza...

ii- Argumento do "terceiro homem"

Um dos grandes argumentos Aristotélicos contra a teoria das idéias platônicas é o famoso argumento do "terceiro homem", isto é, considerando a idéia de homem e o homem concreto seria preciso algo que os intermediasse, o terceiro homem. Mas daí a necessidade de intermediar o homem-idéia com o terceiro homem e o terceiro homem com o concreto e assim surgiria uma corrente infinda de homens o que tornaria o conceito de homem initeligível.

Mas será mesmo assim? Examinemos os modos de significação dos conceitos, Eles podem ser:

- unívocos: aplicado a vários seres com mesma significação;
- equívocos: aplicado a vários seres com significação completamnente diferente;
- análogos: aplicado a coisas diversas com acepções nem identicas nem totalmente diferentes.

Ora, os conceitos não são totalmente diversos de seus respectivos concretos, nem são um só com eles. São portanto análogos. De fato, nenhuma realidade é totalmente diferente do mundo de nossa existência pelo fato de que em tudo há algo de Deus e, no entanto, as realidades metafísicas diferem dos fatos da experiência. A unicidade nos leva a um monismo, a equivocidade supõe um dualismo ou um pluralismo. Só a analogia pode assegurar pluralidade na unidade.

A parte, como ser, é análoga ao todo e, é necessário que haja comparação para que possa se empregar a analogia. A analogia é uma relação que se dá pelo o esquema do espírito e o do mundo real-físico, por meio de comparações entre uma idéia e um fato real ou entre idéias.

Fica assim desnecessária a suposição de uma "teoria do terceiro homem" e afirmada mais uma vez a validade da teoria das idéias platônicas.

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